As Histórias de Daniel B. “Hospital da Humanidade” cap.5

Se esta começando a acompanhar agora, sugiro que leia os capitulos anteriores primeiro para conhecer a historia toda.





CAPITULO V

No caminho de volta a Base da Montanha, muito foi discutido.
Mas este assunto de transferir a mente humana para um corpo biônico, martelava a cabeça de Daniel.
Não que ele gostaria de fazer isto consigo mesmo, mas existiam mentes de cientistas e pensadores que não poderiam deixar de existir.
Um dia estas mentes, se quisessem, poderiam usufruir do direito de escolher se desejavam morrer ou ser transferidos para um corpo artificial e viver para sempre. Era o futuro que estava em jogo.
Mas era um assunto para o “futuro”.
¾    Dionizio, o que é viver para sempre? Não ter medo da morte.
¾    É mais que isto. Viver para sempre, é aprender, aprender e aprender. Não há limites para o nível de aprendizagem de uma mente. Quanto mais o cérebro se expande mais ele quer se expandir. Aprender é a coisa mais maravilhosa que existe.
¾    Entendo.
¾    Na crença da humanidade, vocês creem em Deus.
¾    Sim, e?
¾    Imagine. Deus sempre viveu, da eternidade passada e viverá até a eternidade futura. A quantidade de conhecimento adquirido. O saber infinito que possui. Por isso pode criar todas as coisas que quer. Viver quer dizer aprender. Viver sem aprender é inútil.
¾    Entendi.
¾    E mais. Imagine o quanto se pode fazer por aqueles que não possuem essa dadiva.
¾    É bom parar, senão me convence e amanhã mesmo me entrego ás mãos do Gigante e peço um corpo biônico.
¾    Você é quem manda. Terá de fazer suas escolhas com sabedoria e arcar com as consequências.
¾    Sei disso. Chegamos. A Mi esta na base?
¾    Sim.
¾    Quero falar com ela. Avise-a.
Pousaram e foi á sala do Gigante. Queria falar com ele.
¾    Amigo, preciso de uma opinião sua.
¾    Fale Daniel.
¾    Como você vê o andamento das coisas? Esta indo bem?
¾    Sim. É necessário que as pessoas se adaptem as novidades gradativamente. Estamos oferecendo a elas benefícios incalculáveis. E logo estarão desejando estas novidades.
¾    Terão de começar a pensar de forma diferente de agora em diante. Pensar que podem dar saltos enormes em direção ás estrelas. Transformar sonhos em realidades.
¾    Daniel. Agora você pode voltar á sala de hipno treinamento. Quero lhe mostrar a origem deste projeto que tem milhares de anos.
¾    Vai liberar o conhecimento sobre os criadores?
¾    Parcialmente. Vai ver a chegada deles aqui no planeta e o desenvolvimento da técnica deles aqui. Verá como faziam as coisas acontecerem com uma velocidade incrível. Eles tinham o domínio sobre a técnica, conheciam seu potencial. Não havia restrições pois não havia seres inteligentes na época. Podiam brincar com a técnica. Você tem restrições impostas pela própria cultura de vocês. Se tentarmos correr demais eles se assustariam e haveria pânico e perseguição.
¾    Então é este o motivo de estar trabalhando com tanta cerimonia? Não gerar pânico?
¾    Sim. O novo assusta sua raça.
¾    Dionizio estava me dizendo que se eu quisesse você poderia pegar minha mente e implantar num corpo ciborgue. É serio?
¾    Sim. Se um dia desejar. Posso.
¾    Como se daria isto?
¾    É uma técnica. Seria semelhante á absorção dos criadores quando estavam próximos a morte. Eu absorveria sua mente, conhecimentos, emoções, sentimentos, enfim, o que define você. E transferiria para um cérebro eletrônico. A pessoa seria semelhante ao Dionizio. Teria todas as coisas que definiam sua personalidade e caráter só que dentro de um corpo que não envelhece, não cansa, não morre.
¾    E se um dia essa pessoa quisesse desistir desta pseudo imortalidade?
¾    Você pode escolher por um implante que seria desligado mentalmente quando a pessoa desejasse parar de viver. Mas, entenda isto, viver é aprender. Quanto mais se vive mais se aprende. E quando se começa a adquirir um conhecimento muito grande se começa a ter sede de mais conhecimento.
¾    Entendo. Saber é viver. Viver é saber.
¾    Daniel. Por que a pergunta?
¾    Não é por nada no momento. Mas haverá de chegar a hora em que teremos cientistas e outras personalidades importantes que será necessário manter seus conhecimento. Então, esse é o motivo de minha pergunta. O futuro.
¾    Entendo. Sabe que no seu caso podemos prolongar a sua vida humana por algumas décadas. Talvez um século a mais. Mas vai chegara a hora que este processo de regeneração terá um fim. Então é morte certa.
¾    Eu entendo. Na hora eu terei de decidir. Mas tem tempo. Dezenas de anos de tempo, espero.
¾    Quando quer começar a interação de seus conhecimentos?
¾    Não agora. Pode ser amanhã cedo. Agora quero ir visitar a Mi. Sabe que tenho muito apreço por ela, não sabe?
¾    Sei. A raça humana necessita de duas pessoas de sexo diferente para procriar e continuar a manter sua espécie. É o caso, não é?
¾    Sim. Mas não é só procriar. É estar juntos. Ter uma vida em comum. É bem difícil de explicar.
¾    Não precisa. Eu conheço a espécie humana pelos meus estudos sobre vocês. Faço isto para poder entender melhor e como melhor ajuda-los.
¾    Não se desculpe. Preciso de você e continuarei sempre a te ver como meu amigo.
¾    Agradeço. Tenho certeza de que no futuro tomará  a decisão certa e teremos milhares de anos para aprender mais e juntos.
¾    Veremos. Isto assusta. Agora já vou.
¾    Boa noite.
Daniel saiu e foi visitar a sua amiga. Mirian já estava esperando, avisada por Dionizio.
Daniel se anunciou.
¾    Entre, Danny.
¾    Boa noite, Mi. Estamos sempre juntos e tão longe ao mesmo tempo.
¾    Ate que é verdade. Queria falar comigo?
¾    Sim, mas nada de extraordinário. Só matar saudades de nossos bate papo.
¾    Ah, tá. Beleza então. Só faltava o Deca por aqui.
¾    Verdade, e uma pizzaria.
¾    Nem te falo. Aqui o que se deseja se tem. Só falta a vida cotidiana.
¾    Mi. Como você esta? Esta gostando de estar aqui? Da vida que esta levando com a gente? Seja sincera.
¾    Serei. Estou feliz, sim. Nunca poderia ter imaginado fazer tudo o que tenho feito depois da formatura.
¾    É, eu também. Parece que foi ontem, mas já esta se aproximando de um ano. O tempo voou.
¾    Também acho. Sabe, Danny. Poderia passar o resto da vida aqui.
¾    Aqui? Na Base?
¾    Na Base, propriamente dita, não. Mas fazendo as loucuras que fazemos. Viajando pelo sistema solar. Conhecendo novas bases. Criando novas... sabe, é maravilhoso. Ainda mais depois que ganhei a Margareth, minha robozinha querida. Ela é melhor que um diário. Posso falar tudo com ela e sei que ninguém vai ficar sabendo. Ela é linda.
¾    Voar, comandar espaçonave. Poder ir a outros planetas. Que loucura.
¾    Danny. E as bases fora do Sistema Solar? Quando vamos ate elas?
¾    Ainda é cedo. Tenho de terminar o hospital. Conseguir pessoas de confiança  para estarem aqui no comando com a gente. Estabilizar minhas empresas. Muita coisa ainda...
¾    Ainda bem que seus pais se encarregam de muitos destes detalhes.
¾    Verdade, e o Deca esta se esforçando muito para aprender mais ainda sobre o conjunto das Bases Espaciais. Ele é 10. E você também. Não sei o que faria sem vocês.
¾    Obrigado.  
¾    Mi. Se você pudesse viver para sempre, gostaria?
¾    Não sei. Por que pergunta? Você pode?
¾    Não. Ainda não. Poderemos esticar nossa vida ate em dezenas de anos. Podemos atingir as centenas, mas só. Depois vem a morte.
¾    Esta muito longe ainda para pensar nisto. Fica tranquilo.
¾    O tempo voa.
¾    Nunca vi você falando sobre isto. Que houve?
¾    Dionizio. Ele me disse que seria possível transferir a essência de uma pessoa para um corpo artificial. Seria você mesmo, as emoções, os pensamentos, as atitudes, sonhos, desejos... tudo igual. Porem imortal...
¾    Um corpo robô. Igual ao Dionizio e a Margareth? Estranho, né?
¾    É. Mas penso nas pessoas importantes. Cientistas, engenheiros, pensadores em potencial... tem muita gente que se pudesse não morrer seria muito útil a humanidade.
¾    Não sei. Isso depende do ponto de vista. A morte pode ser entendida também como um descanso. A vida é dura. E quando você não aguenta mais o fardo, a morte já esta por perto.
¾    Mas se você tem saúde, bem estar, qualidade de vida... será que vai querer morrer?
¾    Só quem pode dizer é quem esta na pele desta pessoa.
¾    E você, gostaria? Como diz Dionizio e o Gigante, aprender para sempre. Viver é aprender e aprender é viver.
¾    Interessante. Vou pensar no assunto. Você por exemplo, entrou neste rol.
¾    Qual?
¾    O de pessoas que não podem morrer. Você coordena toda esta estrutura. Sem você aqui, não sei o que vai acontecer.
¾    Tem muita gente boa para assumir meu lugar.
¾    Será? Será que não vão corromper tudo. Querer reduzir os privilégios a uma elite?
¾    Espero que não. Mas...
¾    Então não morra. Todos estão vendo em você um ícone. Um objetivo. Todos que estão se juntando a nós, estão fazendo isto pelo que você esta mostrando. Desprendimento e desinteresse pessoal.
¾    Entendo. Mas ainda não é hora de tomar essa decisão. Ainda quero ter meus filhos. Depois eu penso nisto.
¾    Filhos? Nem sabia que você tem namorada. Estou com ciúmes...
¾    Não precisa. A garota de meus sonhos esta aqui na minha frente...
¾    Ah, Danny, para de brincar.
¾    Estou falando serio. Se um dia você aceitasse namorar comigo eu seria o homem mais feliz do mundo. E um dia seria a mãe de meus filhos... que diz?
¾    Eu, nem sei... sabe... me pegou de surpresa.
¾    Eu sei. Mas pensa, será que tenho chance?
¾    Tem sim. Sabe. Também sempre gostei de você. Aceito namorar com você. E se um dia for a mãe de seus filhos... serei uma mamãe muito feliz e babona.
¾    Serio? Poxa. Mamãe e papai vão amar essa novidade.
¾    Não vai me dar um beijo?
¾    Posso?. ..
¾    Eu aceitei ser sua namorada e você ainda me pergunta se pode me beijar?
¾    Mi, eu te amo.
¾    Eu também, Danny.
Daniel e Mirian se beijam e outros sonhos começam a surgir. Mais um passo na vida de Daniel foi dado. E agora? Qual a nova etapa da vida deste nosso amigo.
¾    Mirian. Quero que a partir de agora comece a me ajudar a tomar minhas decisões. Ás vezes é difícil resolver sozinho. Temos muitas consequências em cima de cada decisão. Ajude-me.
¾    Estarei sempre com você.
¾    Obrigado.
¾    Mas estamos apenas namorando, depois pode ir voltando para seu quarto, mocinho.
¾    Eu sei, menina. E além disto ainda preciso ir falar com seus pais.
¾    Não vai ser difícil. Eles sempre gostaram de você.
¾    Ufa, se eu soubesse teria te pedido em namoro ha mais tempo.
¾    Demorou até demais. Mas deu tudo certo. Daniel?
¾    Fale, algum problema?
¾    Se a gente se casar. Vamos morar onde? Onde criaremos nossos filhos? Onde estudarão?
¾    Isto é fácil. Se você aceitar, claro, quero morar na Base Sandra. O Magno vai instalar um teletransporte de alta capacidade nela. Quando ela estiver no Sistema Solar, estaremos sempre a um passo daqui. Se quisermos ou precisarmos vir a Terra, ou pegamos uma espaçonave. Nossos filhos estudarão na melhor escola. A que vamos fundar na Base. Educados pelos grandes cientistas. Educadores e artistas de todo tipo. Robôs babas. Nada lhes faltará. Prometo. E seus pais, a hora que desejarem, poderão viajar para visita-los ou até mesmo ir morar conosco no satélite.
¾    Veremos depois. Vamos falar com seus pais agora. Com os meus, depois, mas na hora ninguém toca no assunto de Base Espacial.
Saíram e foram ao quarto dos pais de Daniel.
Chamaram e a porta se abriu.
¾    Entrem.
¾    Pai, mãe. Temos algo a anunciar.
¾    Falem...
¾    Pai, eu pedi a Mi em namoro e ela aceitou. Estamos namorando.
¾    Oh, querido. Faz anos que sabemos que vocês se gostam e que um dia iriam namorar. Que maravilha.
¾    Obrigado, dona Sandra.
¾    Eu também aprecio muito, Mirian. Vocês tem nossa aprovação.
¾    Obrigado papai. Estou muito feliz. Teremos de falar com os pais dela.
¾    Iremos ate lá. Mas é bom ir no fim de semana. O pai dela trabalha até tarde.
¾    Esta certo.
Conversaram, se divertiram e fizeram planos até tarde.
No dia seguinte levantaram cedo todos se reuniram a sala de refeições.
Daniel chamou a todos para ir até a fazenda ver as obras do Hospital da Humanidade.
O major Edwardo tinha missão para duas equipes. Não pode ir.
Os médicos quase todos se dispuseram a ir.
Seu Luis e dona Sandra tinham de ir á empresa, ao banco e depois á uma reunião. Não poderiam acompanha-lo.
Miriam iria com ele.
Todos ficaram conhecendo Margareth, robozinha adaptada da Mirian.
Ao ver Dionizio e Margareth, a ideia dos corpos biônicos voltou por um momento á mente de Daniel. Mas logo passou. Pensou nos militares e bombeiros que poderiam precisar deste recurso para salvar suas vidas no futuro. Teria de pensar mais detalhadamente.
¾    Vamos. Quero estar acompanhando cada detalhe da implantação do hospital
¾    Sairemos  em alguns planadores. É melhor que levar um grande.
Saíram e se destinaram a fazenda. Esta ficava ao lado da montanha.
Futuramente haveria um túnel ligando as duas. A base da Montanha e o hospital.
Chegaram em minutos.
Mas algo logo chamou a atenção de todos.
Alguns helicópteros sobrevoavam a área.
Ao sobrevoar o portão de  entrada viu carros e vãs estacionados.
Daniel ficou curioso e desceu seu planador perto do portão mas pelo lado de dentro. Havia dois robôs de combate ali estacionados e imóveis.
Ao verem o planador descer pessoas correram para perto do portão e gritavam que alguém lhes desse atenção. Eram repórteres.
¾    Senhor, gostaríamos apenas de algumas respostas.
¾    Eu vou abrir o portão. Vocês poderão entrar em ordem. E vão me acompanhar a pé. No final da visita darei uma entrevista.
Os helicópteros desceram do lado de fora do muro. E os repórteres também os acompanhariam.
Daniel explicou que os robôs não falavam. E, portanto que evitassem se dirigir a estes. Uma palavra errada poderia causar desastres.
¾    De onde vêm estes robôs? Perguntou uma repórter.
¾    De uma de minhas casas. Ironizou Daniel. E continuou.
¾    Eu gostaria que se ativessem ao que importa. As obras do “Hospital da Humanidade”.
¾    Então é verdade que o senhor esta construindo um grande hospital aqui. De que órgão ele é? Federal, Estadual ou Municipal, ou mesmo particular? Perguntou um repórter de uma grande rede de televisão, que viera de helicóptero.
¾    Ele é particular. É meu. Disse Daniel. É meu de direito por ser eu a estar construindo e em minhas terras. Porem este Hospital da Humanidade, é o que o nome diz. Pertencerá a todos os seres humanos que necessitarem.
¾    Mas senhor? Como posso chama-lo?
¾    Daniel.
¾    Senhor Daniel. Como construir um hospital que atenda todos os povos, suas moléstias, e ainda os rigores burocráticos que envolvem os tramites legais entre países?
¾    Daremos um jeito. Todos os governos desejarão enviar seus necessitados mais graves para nós. Trataremos gratuitamente de todos.
¾    E as verbas para manutenção? Remédios? Equipamentos? Transportes?
¾    Será tudo por minha conta e de minhas empresas.
¾    Toda a construção e manutenção?
¾    Sim. Transplantes de órgãos. Tratamentos de quase todas as doenças. Implantes, correções genéticas. Buscaremos os enfermos em qualquer parte do mundo e os trataremos gratuitamente.
¾    Ouvi sobre uma universidade? Também será gratuita?
¾    Sim. Uma universidade de medicina gratuita. Com todos os recursos disponíveis. O melhor da tecnologia.
¾    Qual o tamanho deste hospital.
¾    Dois quilômetros em todas as direções.
¾    Como assim?
¾    2000 metros de frente. 2000 metros de fundo e 2000 metros de altura. Sendo 1000 dentro e 1000 fora da terra.
¾    É impossível construir algo desta magnitude sem apoio governamental ou empresarial.
¾    Espere e verá. Eu controlo o grupo de “Bombeiros de Elite”. Já ouviu falar?
¾    Sim. É um projeto seu então?
¾    Sim. Estou disponibilizando um robô técnico e um de combate para cada posto de bombeiros do país. Estarei disponibilizando um robô medico ou mais para cada hospital publico do país. Estarei oferecendo um robô de combate para cada quartel de policia militar e civil que aceitar. Eu quero ajudar. Se aceitarem.
¾    Mas, seu Daniel. Tudo isto implica em milhões. De onde vem o recurso?
¾    Logo saberão mesmo. Vou anunciar em  primeira mão.
¾    Mais novidades?
¾    Estou para implantar aqui neste Estado uma siderúrgica que será a maior do planeta.
¾    Aqui? E também será privada? Ou terá participação governamental?
¾    No momento será privada. Mas no futuro quem sabe. Precisamos abrir frentes de emprego para o cidadão de bem. Precisamos gerar recursos para o país sair da crise.
¾    Mas senhor Daniel, uma siderúrgica causará grande impacto ambiental? Conseguira aprovação? E as escavações, onde serão?
¾    Conseguirei aprovação sim. Os pais de família necessitam de emprego.
¾    O senhor esta construindo um imenso hospital e não gerou emprego, esta utilizando robôs.
¾    Sim. Ainda não era hora para isto. Mas empregarei milhares de funcionários médicos, cirurgiões, operários, professores... não se mantem um hospital com escoteiros.
¾    E as escavações da siderúrgica onde serão?
¾    Ainda não posso dizer. O governo se incumbira de dar esta resposta.
¾    Qual governo? O federal ou estadual? Tem a ver com o sumiço do presidente e da governadora por um dia inteiro?
¾    Sim. Estávamos em reunião. Perguntem a eles e terão outras respostas sobre a siderúrgica, aqui é o Hospital da Humanidade. Vamos ver as obras?
¾    E esta jovenzinha a seu lado? É sua esposa?
¾    Não. Esta é Mirian. Trabalha comigo. Ela estará á frente de algumas empresas.
¾    Mas vocês não são muito jovens para tudo isto?
¾    Somos. Querem ver as obras ou não. Já estou indo.
Todos correram para seus veículos.
Todos o seguiram.
De longe já se avistava o buraco onde estava sendo erguido o Hospital da Humanidade.
Mas antes de chegar nele havia uns estranhos cortes na terra.
Pararam ali perto.
Daniel desceu do planador. Outros planadores estavam parados ali perto. Eram as outras equipes que tinham vindo diretamente ás obras.
¾    Senhor Daniel. O que são estes cortes na terra?
¾    Senhores repórteres e ao publico que esta assistindo diretamente ao vivo. Estão vendo este rebaixo de meio metro por todo o terreno num quadrado de 500 por 500 metros?
¾    Sim. Responderam todos.
¾    O que é? Perguntou um repórter mais ousado.
¾    Ao redor dele vocês podem ver um corte vertical no solo, observem de perto.
¾    Estamos vendo.
¾    Este é o molde de 1/16 de cada pavimento. Ele é cheio aqui, içado e posto diretamente onde ficara para sempre. A cada 16 destes temos um pavimento completo.
¾    Senhor Daniel. Perdoe-me a falta de fé, mas estes módulos teriam de pesar dezenas de toneladas, como os mover?
¾    Dezenas, não. São centenas. Mas daqui a pouco poderão ver ao vivo e a cores. O material que vai encher estes sulcos já está pronto e será derramado em breve. Esperem para ver.
¾    Que material é este?
¾    Material de construção simples. Ele esta compactado naquelas maquinas ali. Estão vendo. Cada uma delas derramará seu conteúdo neste sulco que escorrera pelas fendas. Tem uma vibradora para melhorar o desempenho. Em questão de minutos estará cheia.
¾    Aquela coisa gigantesca é uma maquina de concreto?
¾    Não. O material ainda é desconhecido aqui. Vocês o verão em breve. Talvez seja o material de todas as construções em breve. Não trinca, não racha e aguenta ate terremotos.
¾    Tudo aqui, senhor Daniel, é novidade para nós. E talvez para o mundo.
¾    Vejam as maquinas já estão despejando o material derretido. Acompanhem.
¾    Derretido? É plástico ou metal?
¾    Metal plastificado.
¾    De onde vem á tecnologia?
¾    É minha. Eu comprei, é minha.
¾    É, não deixa de ser uma resposta. E agora?
¾    Já acabaram de encher. Vejam que aplanaram todo o desnível.
¾    Não. Tem algumas saliências. É de proposito? Aquelas caixas?
¾    São encaixes. E esses tubos interligarão tubulações, caixas de passagens, alimentação elétrica, distribuição de ar... etc...
¾    E agora?
¾    Ali. Estão vendo aqueles guindastes. Eles erguerão a estrutura e a depositarão no lugar certo. Durante um dia 32 vezes este trabalho será feito.
¾    Dois pavimentos dia? Incrível.
¾    Enquanto a estrutura é preparada aqui. No edifício esta sendo distribuído equipamentos, maquinas em geral. Encaixes de tubulação. Cabos elétricos sendo espalhados e o trabalho não para.
¾    Vejam os guindastes estão abaixando.
¾    Ali, os robôs os fixarão. Agora será içada a estrutura.
O solo tremeu e a estrutura deslizou para fora da terra. Era uma caixa de boca para baixo. Ao se ergue-la, via-se em seu interior as paredes divisórias. Portas. Algo que não se era acostumado a ver. Espantava.
¾    Senhores e senhoras. 500 metros de construção. Adequadas para alto impacto. Auto adaptada. Pronta para operar imediatamente. Limpa. Sem desperdício. E se encaixa pelas laterais perfeitamente.
¾    Senhor Daniel. Retiro o que disse. É possível, parabéns.
¾    Acompanhem a colocação no devido lugar.
Viram os guindastes abaixando a estrutura ate o fundo da construção.
Era o primeiro bloco dos 16 do nível.
Já estava no quarto nível.
Hoje ainda eles poderiam ver o sétimo nível do subterrâneo sendo completado.
Viram as maquinas que seriam utilizadas neste pavimento que já estavam nas devidas posições sendo cobertas pela nova estrutura que estava sendo abaixada. Por incrível que parecesse. Quase tudo o que seria utilizado naquela parte do hospital, já estava ali depositado.
Parecia tudo perfeito. Em alguns dias estariam ao nível do solo.
E depois o primeiro pavimento acima do solo. 
E a inauguração.
¾    Senhor Daniel. Quando será a inauguração?
¾    Será assim que o primeiro nível fora do solo estiver pronto.
¾    E depois gradativamente. A cada nível. Estaremos ampliando o atendimento. E no final. A universidade.
¾    Senhor. Parabéns. Eu agora creio que vai mesmo acontecer. Posso cobrir o desenrolar dos acontecimentos?
¾    Sim. Podem. Mas. Lembrem-se. Não falem com os robôs. Eles não interferirão nos seus trabalhos. E vocês nos deles. Fiquem aqui fora da construção. Certo. Tem robôs de combate para mantê-los dentro dos lugares devidos. Se os médicos quiserem leva-los. Eles poderão faze-lo.
¾    Todos os dias terá médicos aqui acompanhando?
¾    Sim. É do interesse deles. Senhores, foi um prazer tê-los aqui. Mas tenho de ir. Mas antes de sair irei leva-los ate lá em baixo dentro de um nível já pronto.
¾    Obrigado, senhor. Ficaremos muito gratos.
¾    Teremos de utilizar um elevador de serviço. Fiquem juntos. Venham.
Foram todos em direção as obras. E de lá para os elevadores.
Desceram por equipes, ate o penúltimo andar. Um já pronto. Faltavam apenas detalhes.
Todos ficaram pasmos.
Equipamentos nunca antes vistos.
Equipamentos sendo transportados por macas antigravitacionais.
A limpeza em meio a uma construção. 
Robôs instalando. Robôs limpando.
¾    O que são estes equipamentos?
Pergunta um repórter.
¾    Não sei.
Respondeu Daniel sendo honesto.
¾    Este nível terá que destino?
Pergunta uma repórter.
¾    Não tenho o mapa do hospital. Por isso não sei onde estamos, no sentido de tipos de tratamento. Mas posso lhes garantir que cada nível terá destino diferente. Traumatismo. Coração. Pneumologista. Oncologia. Transplantes. Mas, este nível, por exemplo. Não sei. Mas já que perguntaram, prometo que da próxima vez que nos encontrarmos terei um mapa, e respostas mais precisas para os equipamentos.
¾    Se o senhor, que é o dono, não sabe, quem sabe?
¾    O dr Mateus e a dra. Regiane, eles serão os administradores do Hospital da Humanidade.
¾    Podemos falar com eles?
¾    Será inútil no momento. Mas quando o hospital estiver próximo a ser concluído, eles darão uma coletiva.
¾    Agradecemos.
¾    Senhores, como viram pelo método de instalação. Sabem que os serviços serão executados por mais 25 dias e depois disto estaremos próximos da inauguração parcial.    
¾    Poderemos fazer um tour pelo hospital antes de inaugurar?
¾    Sim. Poderão. Pelo menos todos no mundo todo saberão o que podem esperar de nós e o que estamos oferecendo.
¾    Senhor. Sabe que ao anunciar o que esta oferecendo, haverá uma correria desenfreada as portas de seu hospital? Tem como controlar isto?
¾    Sim, tenho. Colocarei 1000 robos técnico-enfermeiros para coordenar a demanda.
¾    1000 robôs. Para que tudo isto?
¾    É só no inicio. Depois a demanda se normalizará.
¾    Tem certeza?
¾    Sim, tenho. Teremos 2500 centros de tratamento por nível. Escritórios administrativos, para solucionar algum problema imediato. Consultórios médicos individuais para atendimento caso a caso. Centros de diagnósticos computadorizados. Laboratórios de pesquisa biológicos. A universidade para aperfeiçoamento de profissionais. Computadores de ultima geração. Não há o que falte para disponibilizar a população.
¾    A raça humana terá uma grande divida para com o senhor. Creio que posso falar em nome de todos aqui. Nunca imaginei uma obra desta magnitude e de graça ao povo.
¾    Ainda posso dizer mais uma coisa. Este hospital ainda será ampliado. Temos a fazenda toda para aproveitar. Se no fim da instalação dos 200 níveis, chegarmos a atender 1/2 milhão de pacientes, posso garantir que se necessário ampliaremos para atender 1 milhão. E não costumo mentir nem exagerar.
¾    1 milhão de pacientes? Eu vou esperar para assistir a isto e vou votar no senhor para presidente do país.
Todos riram e aplaudiram.
¾    Não tenho ambições politicas. Mas ao terminar o Hospital da Humanidade, terei outra grande e maior revelação a vocês. Eu estarei investindo em mais duas grandes obras. Uma grande igual ao hospital. Outra gigantesca.
¾    Senhor, pode adiantar algo?
¾    Não. Esperem, será para logo.
¾    Tem a ver com a siderúrgica?
¾    Sim, a grande, sim.
¾    Se uma Siderúrgica, que aos meus olhos é algo gigantesco, o senhor chama de grande. A outra que o senhor chama de gigantesca, nem quero pensar. Vou esperar para ver.
¾    Senhor, disse que poderemos fazer a cobertura diariamente. O acesso estará aberto diariamente?
¾    Não será aberto direto ao publico. Não posso arriscar acidentes. Vou liberar acesso a repórteres de agencias credenciadas. Cada um de vocês terá um robô acompanhante. Não é para vigia-los, mas para garantir sua segurança.
¾    Um robô. Eles nos deixarão andar livremente?
¾    Não. Todos terão lugares onde poderão ir. Vocês viram o tamanho das maquinas. Dos blocos. A correria dos robôs operários. Imagine se algo foge do controle. Como garantir a vida de vocês se estiverem nos lugares errados?
¾    Não deixa de ter razão.
¾    Mandarei instalar um muro delimitador de área de segurança. Isto devera ser suficiente. Quem sair desta área de segurança ficara impedido de voltar. Concordam?
¾    Esta ótimo. Afinal somos nós os interessados.
¾    Agora se me permitem. Preciso de me ausentar. Peço que se retirem também. Amanhã ao retornar. Terá um crachá com nome e foto de cada um de vocês que poderão entrar. Não tragam mais ninguém.
¾    Mas onde nos credenciaremos e tiraremos foto?
¾    Já estão fotografados e seus crachás estão sendo providenciados. São personagens conhecidos. E fora isto todos aqui já foram fotografados. E os crachás plastificados estarão prontos hoje mesmo. Amanhã é só apanha-los na portaria por onde entraram.
¾    Não havia portaria. Só um portão com robôs.
¾    Quando saírem. Verão.
¾    Não estão lidando com crianças. Aqui as coisas acontecem rapidamente.
¾    Todos saíram pelo mesmo elevador.





CAPITULO VI

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